segunda-feira, 8 de agosto de 2016

mad.e.

you made a slow disaster out of me.you made a slow disaster out of me.you made a slow disaster out of me.you made a slow disaster out of me.you made a slow disaster out of me.you made a slow disaster out of me.you made a slow disaster out of me.you made a slow disaster out of me.you made a slow disaster out of me.you made a slow disaster out of me.you made a slow disaster out of me.you made a slow disaster out of me.you made a slow disaster out of me.you made a slow disaster out of me.you made a slow disaster out of me.you made a slow disaster out of me.you made a slow disaster out of me.you made a slow disaster out of me.you made a slow disaster out of me.you made a slow disaster out of me.you made a slow disaster out of me.you made a slow disaster out of me.you made a slow disaster out of me.you made a slow disaster out of me.you made a slow disaster out of me.you made a slow disaster out of me.you made a slow disaster out of me.you made a slow disaster out of me.you made a slow disaster out of me.you made a slow disaster out of me.you made a slow disaster out of me.you made a slow disaster out of me.you made a slow disaster out of me.you made a slow disaster out of me.you made a slow disaster out of me.you made a slow disaster out of me.you made a slow disaster out of me.you made a slow disaster out of me.you made a slow disaster out of me.you made a slow disaster out of me.you made a slow disaster out of

domingo, 15 de novembro de 2015

Shakespeare, my dear

SHYLOCK
To bait fish withal. If it will feed nothing else, it will feed my revenge. He hath disgraced me and hindered me half a million, laughed at my losses, mocked at my gains, scorned my nation, thwarted my bargains, cooled my friends, heated mine enemies—and what’s his reason? I am a Jew. Hath not a Jew eyes? Hath not a Jew hands, organs, dimensions, senses, affections, passions? Fed with the same food, hurt with the same weapons, subject to the same diseases, healed by the same means, warmed and cooled by the same winter and summer as a Christian is? If you prick us, do we not bleed? If you tickle us, do we not laugh? If you poison us, do we not die? And if you wrong us, shall we not revenge? If we are like you in the rest, we will resemble you in that. If a Jew wrong a Christian, what is his humility? Revenge. If a Christian wrong a Jew, what should his sufferance be by Christian example? Why, revenge. The villainy you teach me I will execute—and it shall go hard but I will better the instruction.

sábado, 27 de dezembro de 2014

domingo, 16 de novembro de 2014

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

vinho tinto


o Cristo desaparecido da cruz
e a barriga do padre aumentada em trinta quilos.

a Jacinta da minha turma
que decorou a nau catrineta
a ver se a paixão que nutria pela professora
num lesbianismo permaturo do 7º ano
lhe valia um muito bom na caderneta

e o padre gordo
todos os domingos a pedir para a igreja
enquanto contava piadas do futebol
em pleno palco religioso
com as falas da missa ainda por decorar
a acompanhar-se pelo livrinho
sem vergonha do seu papel de actor sem memória.

se fosse deus,
aumentava a publicidade religiosa,
com umas mamudas,
que se vergassem enquanto lêem a Bíblia.

cemitério

a minha casa é um cemitério.
atiram-se flores meias murchas
abrimos as mãos ossudas,
a campa desterrada,
os corpos cambaleantes,
chega a noite e durmo,
como se dorme sempre.

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

agricultura



As ervas crescidas pela doença.
Prometeu que jamais voltaria a cultivar o campo.
Até que as abóboras cessaram de saltar para a panela da sopa.

sábado, 27 de setembro de 2014

beliche

Aos 24 anos, feito de asas multicolores, um benjamim na cabeça, às vezes cabelo de galo a imitir jogadores de futebol feiosos iletrados, uma boca e olhos de cão. O Agosto das noites quentes nos pés húmidos da relva molhada. É preciso cessar para nos cair a imensidão nas clavículas. A Raisa que queria os meus ossos numa caixinha. Os teus ossos numa caixinha com o meu cabelo. Se rapar o cabelo abro a caixinha. O beliche do Algarve e o do teu quarto. Dormimos tantos anos juntos. Já era incestosos e eu ao teu lado, em baixo, por cima. O Bruno a foder-me as férias e tu pequeno a amparar-me os olhos de São Bernando ranhosos. A meningite que me deixou com defeitos nas cordas vocais, se ouso dirigir-te palavras meigas, uma interrupção, uma tosse, uma teimosia em abolir confissões. Este coração cor-d'-aço. A Virginia com as pedras nos bolsos a martelar-me. O ribeiro, a piscina, o mar. O meu corpo tão pesado que me afogaria no lavatório. Aos 24 anos, a tua pele morena nas cuecas coloridas, - homem nu! - e a correres. O início do desdém. Se corto as cordas vocais, uma procissão de amor. O teu nariz perfeito. O teu rabo de preto. As tuas mãos duras, cruzadas, como num abraço, onde eu falho. onde sempre falhei. Quero os meus ossos na caixinha com os teus ossos. O teu nariz na minha cara. O meu cabelo na tua cabeça de velho careca. Braços ósseos entrelaçados a gritar o silêncio. O meu corpo, incestuoso, colado ao teu, para sempre.




no teu nome principia a saudade.