terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

Snow


Tu sabes como eu preciso de consertar. Tu morto nos meus braços e eu ainda a pedir a deus, ao universo, ao raio que o parta para não me deixares. A tua cabeça ainda nos meus lábios e tu já enterrado no jardim. A chuva no teu corpo quente. Uma dor. A tua barriga. O pêlo macio atrás das tuas orelhas. Olho para o sofá numa esperança de enfermo e um vazio, na cama, na rampa, nos meus braços onde te escondeste no último suspiro. Tenho tanto medo da noite, do desespero da tua ausência, de me lembrar sozinha. Prolongo a televisão numa ânsia de proximidade, e, no entanto, estamos tão longe. E apesar da dor, eu quero ficar. Quero dizer-te bom dia e boa noite, em segredo, com uma lágrima suspensa, mesmo que não respondas. E se parto, eu juro que não é por escolha, é só a vida a empurrar-me para os dias.
Tenho tanto amor por ti.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

Weird goodbyes

“O Silvestre morreu esta manhã.”

Antes desta frase o mundo igual. Podia levantar-me, queixar-me de acordar cedo, dormir menos do que as prescritas 8 horas, ter conversas medianas no emprego, regressar a casa com fome de jantar e uma conversa repleta de gatos a acolher-me a alma desta mediocridade dos dias iguais.

Depois desta frase, umas cascatas nos meus olhos sem esforço. O ridículo de sofrer tanto por um gato. E, no entanto, sem gatos, que resta? As tuas patas desproporcionalmente grandes. A tua pele colada a mim, à minha mãe, ao Miguel. E agora todos despidos. Esta colecção de dores. Mesmo com medo da morte, uma súbita vontade de acabar.

Quero voltar a Dezembro. Quero queixar-me da tua selectividade – um fidalgo. E de seres uma lapa. Um sofá, uma cama, um corpo estendido, e lá estavas. Horas sem nos mexermos não fosses abandonar o posto, e que dor quando abandonavas o posto. E agora, como fazer quando abandonaste o posto para sempre? Eu prometo que não me mexo uma vida inteira e mesmo assim não voltas.

Agora volto àquela dança com o tempo. Esperar que passe, que o teu corpo debaixo dos cobertores não arranque os meus olhos. Que o corpo aguente mais esta vez. A vida é uma colecção de dores. E, subitamente, uma lembrança do teu corpo ao sol no jardim, a solicitar festas, despreocupado com as minhas obrigações ou o chão molhado. E talvez se me lembrar que foste feliz, talvez amanhã me consiga levantar e aguentar o mundano da vida.

sexta-feira, 3 de abril de 2020

segunda-feira, 8 de agosto de 2016

mad.e.

you made a slow disaster out of me.you made a slow disaster out of me.you made a slow disaster out of me.you made a slow disaster out of me.you made a slow disaster out of me.you made a slow disaster out of me.you made a slow disaster out of me.you made a slow disaster out of me.you made a slow disaster out of me.you made a slow disaster out of me.you made a slow disaster out of me.you made a slow disaster out of me.you made a slow disaster out of me.you made a slow disaster out of me.you made a slow disaster out of me.you made a slow disaster out of me.you made a slow disaster out of me.you made a slow disaster out of me.you made a slow disaster out of me.you made a slow disaster out of me.you made a slow disaster out of me.you made a slow disaster out of me.you made a slow disaster out of me.you made a slow disaster out of me.you made a slow disaster out of me.you made a slow disaster out of me.you made a slow disaster out of me.you made a slow disaster out of me.you made a slow disaster out of me.you made a slow disaster out of me.you made a slow disaster out of me.you made a slow disaster out of me.you made a slow disaster out of me.you made a slow disaster out of me.you made a slow disaster out of me.you made a slow disaster out of me.you made a slow disaster out of me.you made a slow disaster out of me.you made a slow disaster out of me.you made a slow disaster out of me.you made a slow disaster out of

domingo, 15 de novembro de 2015

Shakespeare, my dear

SHYLOCK
To bait fish withal. If it will feed nothing else, it will feed my revenge. He hath disgraced me and hindered me half a million, laughed at my losses, mocked at my gains, scorned my nation, thwarted my bargains, cooled my friends, heated mine enemies—and what’s his reason? I am a Jew. Hath not a Jew eyes? Hath not a Jew hands, organs, dimensions, senses, affections, passions? Fed with the same food, hurt with the same weapons, subject to the same diseases, healed by the same means, warmed and cooled by the same winter and summer as a Christian is? If you prick us, do we not bleed? If you tickle us, do we not laugh? If you poison us, do we not die? And if you wrong us, shall we not revenge? If we are like you in the rest, we will resemble you in that. If a Jew wrong a Christian, what is his humility? Revenge. If a Christian wrong a Jew, what should his sufferance be by Christian example? Why, revenge. The villainy you teach me I will execute—and it shall go hard but I will better the instruction.

sábado, 27 de dezembro de 2014

domingo, 16 de novembro de 2014