terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

Snow


Tu sabes como eu preciso de consertar. Tu morto nos meus braços e eu ainda a pedir a deus, ao universo, ao raio que o parta para não me deixares. A tua cabeça ainda nos meus lábios e tu já enterrado no jardim. A chuva no teu corpo quente. Uma dor. A tua barriga. O pêlo macio atrás das tuas orelhas. Olho para o sofá numa esperança de enfermo e um vazio, na cama, na rampa, nos meus braços onde te escondeste no último suspiro. Tenho tanto medo da noite, do desespero da tua ausência, de me lembrar sozinha. Prolongo a televisão numa ânsia de proximidade, e, no entanto, estamos tão longe. E apesar da dor, eu quero ficar. Quero dizer-te bom dia e boa noite, em segredo, com uma lágrima suspensa, mesmo que não respondas. E se parto, eu juro que não é por escolha, é só a vida a empurrar-me para os dias.
Tenho tanto amor por ti.